20 dias para ficar magra ou íntegra?

agenda parede lousa preta giz

Breve pausa nos posts sobre reforma para falar sobre algo que tem me consumido nos últimos meses: meu peso (e minha agenda).

Com a confusão romântica dos últimos dois anos (que já foi oficialmente resolvida) e a instabilidade profissional, deixei de fazer exercícios e me alimentar bem para usar minha energia com drama.

Assim, ganhei não apenas um, dois ou três, mas dez (DEZ) quilos de 2016 para cá. E os novos centímetros inconvenientes acharam meu quadril tão aconchegante que resolveram ficar.

Então, passei a usar o Whole30 e o Q48 como extintores para os meus incêndios. Quando o bicho pegava (e eu não entrava mais em nenhuma roupa), começava um desses programa de 30 ou 60 dias, perdia uns 10cm de barriga e ganhava umas semanas de respiro para engordar tudo de novo.

O mais irônico é que, por mais estúpido que possa parecer, uma vez tendo cumprido a meta, eu não me preocupava em manter. Eu simplesmente trocava o esforço anterior por uma panela de brigadeiro (ou rodízio de sushi).

Você pergunta: por que isso, criatura?

E eu digo: bem, porque ainda que eu desejasse um milagre ao final de cada ciclo, como num passe de mágica, ele nunca veio. Me submeter a uma rotina de restrições ou de exercícios por várias semanas não transformou quem eu sou.

Pensando em tudo isso, fiquei meio desesperada porque o prognóstico não me pareceu favorável. Comer saudável para mim (até hoje, depois de todas as minhas tentativas) é contrafluxo – eu não deliro por um prato de alface e também não acordo morrendo de vontade de arrasar no elíptico. Eu vou para academia porque preciso, enquanto o “porque amo” fica na cama dormindo.

Não estou reclamando que eu sofro. Eu entendo dessa coisa de escolher: se é cenoura e esteira que temos para hoje, que sejamos felizes! – e eu até consigo ser, mas só até voltar a entrar nos vestidos.

Se tirar minha motivação (que, nesse caso, é estar magra), eu volto para a esbórnia. Faz todo sentido, já que eu prefiro meu computador à academia e sei que minha alimentação “clássica” não é ruim a ponto de prejudicar minha saúde; então, por que mudar? Com esse pensamento e nesse ritmo, danço eu, com meu efeito sanfona.

Histórico esclarecido, vamos voltar ao presente. Eis que estou novamente numa emergência: não há elastano no mundo que faça minhas calças entrarem. Eu penso “Relaxa, fácil de resolver!”. Como sempre, invento um projeto para setembro tão eficiente e insustentável quanto os outros.

Ou seja, aqui estou eu, em plena quarta-feira, repetindo o padrão. Se tudo que você queria era um segredo surpreendente ou uma revelação mirabolante, tamos juntos, eu também queria.

Só que a verdade é que… (me imagine, nesse exato instante, olhando no rumo da janela, com cara pensativa, procurando o horizonte como quem procura uma solução)

…por mais que eu espere meu bilhete dourado da transformação, tudo que têm chegado na minha caixinha do correio é conta para pagar – e eu pago todas, exceto a de ter o corpo (e a vida) que eu quero; essa eu fico esperando que paguem para mim.

É fácil sentar na minha própria cauda (haha!) e esperar que, depois de umas semaninhas de esforço, minha vida engate numa inércia infinita de benefícios maravilhosos que não dependem de mim.

Sendo íntegra apenas quando me convém, estou acostumada a só fazer o suficiente e ignorar qualquer propósito maior (ou simplesmente minha palavra), enquanto espero resultados extraordinários e almoço grátis.

Só que hoje, bastante disposta a me responsabilizar por todas as abobrinhas que eu invento para não me comprometer a longo prazo, estou aceitando pela primeira vez que minha vida não é um projeto que eu começo e termino só para me distrair.

Ela acontece, agora e de novo, com consequências para cada pausa ordinária que eu resolvo dar. Por mais assustador que possa parecer, nunca vai estar pago. O esforço é contínuo.

A questão é, como tornar isso leve? Eu não quero viver uma luta infinita…

Eu sei que para ter os resultados dos meus sonhos só preciso cumprir minha palavra, mas acho que nunca experimentei ser minha palavra em cada aspecto da minha existência (e não apenas em cima da balança). Pelo menos não com todas as áreas de uma vez só.

Por isso, eu elegi os próximos 20 dias para fazer um experimento em que nada acontece na minha vida sem supervisão (e nada deixa de acontecer sem eu ser responsável).

Peguei um papel e anotei como eu gostaria que minha vida fosse, do horário do despertador aos dois litros de água diários, passando pela meditação (que eu vinha me recusando a gostar) aos seriados de drama policial da Netflix que eu tanto amo. Uma agenda completa, tudo absolutamente cronometrado.

Com isso, estou pronta para experimentar minha vida aqui fora; o que me parece ótimo, já que dentro da minha cabeça vinha sendo frustrante.

Desde segunda, eu tenho uma agenda. Sem dó nem piedade e aconteça o que acontecer, é ela quem manda. E minha agenda não está de brincadeira comigo, me espreme sem dó: me trata como se eu fosse incrível, disciplinada, saudável, bem sucedida, confiável e magra.

Acho que, depois desses 20 dias, vou acabar acreditando nela.

1 resposta a “20 dias para ficar magra ou íntegra?”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *