A barganha que foi nosso voo Brasília – Lima

Na hora de decidir o destino das nossas milhas, escolhemos o voo Brasília – Lima porque, dentre as poucas opções latinas econômicas, Machu Picchu nos pareceu imbatível. E foi assim, tão espontaneamente como tudo costuma ser, que começou nossa aventura rumo ao Peru 🇵🇪  (clique aqui e saiba de onde veio essa história de morar num outro país).

Nosso voo Brasília – Lima custou 34k milhas + 350 reais de taxa de embarque (ida e volta) por pessoa, o que me pareceu justo, especialmente por ter sido comprado com menos de 2 semanas de antecedência – o que me fez até relevar a conexão estranha em São Paulo (voamos na noite de segunda para Congonhas, para seguir rumo a Lima só na manhã seguinte, por Guarulhos).

Fizemos check in em Brasília pontualmente e empolgados para despachar nossas mochilas enormes pela primeira vez. Sem conseguir colocar cadeados nos milhões de bolsos e zíperes, eu estava morrendo de medo de nossas coisas ficarem expostas demais (leia-se: facilmente roubáveis) durante o manuseio no aeroporto. Estava louca para entender como os mochileiros resolvem isso…

O que descobri é que as mochilas seguem como malas quaisquer, só que envoltas num saco transparente com um nó na ponta. Embora facilmente violável, a proteção plástica me deixou tranquila e confiante de que nossos itens seguiriam seguros e fora do alcance de mãos mal intencionadas.

Em Congonhas, desembrulhamos as mochilas dos sacos (que estavam intactos) e seguimos para o aeroporto de Guarulhos num ônibus cortesia da Latam, que passa a cada 30 minutos. Para embarcar, mostramos os bilhetes do próximo voo, sem acreditar que o motorista tenha visto (ou conferido) de fato.

Em Guarulhos, nos encontramos com o Luiz e a Talita, que nos emprestaram o sofá para o pernoite (ainda que a Latam ofereça o traslado de um aeroporto para outro, o hotel fica por conta do passageiro) e, às cinco-e-pouco da manhã, já estávamos voltando ao aeroporto, prontos para a segunda parte da viagem.

Ah, como sou apaixonada pelo Terminal 3 de Guarulhos…

Com as mochilas despachadas novamente (dessa vez, numa esteira especial e sem saco plástico, #aimeucoração), tentamos saber o preço do upgrade para a executiva (vai que…), mas descobrimos que quando o voo tem conexão, só dá para mudar a classe antes do primeiro trecho – no caso, em Brasília. Então, fomos de econômica mesmo. 😛

Seguimos para o portão de embarque (não sem antes capturar castanhas e brigadeiros na sala do MasterCard) e, num instante, estávamos sentados na fileira 22, do lado esquerdo do avião. Era um Airbus com duas poltronas de cada lado e três no centro.

Decolamos sem atraso e dormimos fácil, com os travesseiros distribuídos no voo. Por incrível que pareça, estava muito confortável.

Quando acordamos, fomos investigar as opções de entretenimento e eu gostei mais ou menos. Não tinha nenhum filme que eu realmente quisesse ver, mas os indicados do Oscar estavam lá, para não me deixar sem escolha. Fiquei com Hidden Figures e Lion que, se você ainda não viu, deveria.

Foram cinco horas de voo, com apenas um café da manhã nota 7. As castanhas e os brigadeiros sequestrados salvaram o dia.

Voo Brasília Lima Latam café manhã

Com turbulência moderada e um serviço gentil, pousamos com segurança (e fome) em Lima, às 11 horas locais (duas horas a menos que em Brasília), e menos de uma hora depois estávamos imigrados e livres, usando toda nossa paciência e 30 minutos de internet grátis para despistar taxistas e chamar um Uber, respectivamente.

E se eu assistisse ao show do Ed Sheeran em Los Angeles?

Assistir ao show do Ed Sheeran em Los Angeles? Por favor…

Mesmo não gostando de multidões, o Ed Sheeran (talvez só ele) me faria sair do sofá para assistir um show. E foi exatamente essa a possibilidade que eu acabei de criar.

Ed Sheeran

Numa reunião, consideramos informalmente voar para a Califórnia em agosto para gravar uns vídeos de lançamento de um curso online. E olha só que coincidência! Ed Sheeran estará lá em turnê, cantando Shape of You e tudo mais. #uhhhAbri o site dele para ver o calendário de shows e a possibilidade pulou da tela pro meu colo. Ai, que emoção!

Para oficializá-la, tá aqui esse post.

Datas shows Ed Sheeran agosto

O que fica na minha cabeça agora (especialmente depois de ver que os ingressos dos shows de julho já estão esgotados) é que preciso ser rápida.

Espera aí!

(…)

Ok, primeiro passo dado.

Nas reticências acima, pedi orçamento de passagem Brasília – Los Angeles para a Gerlane, minha personal travel agent (hehehe). As tarifas chegam amanhã, já com a promessa de baixa temporada. Vamos ver…

Depois disso, fica faltando comprar os ingressos e resolver a hospedagem. Easy.

Hey, Flavia Niemeyer, tem lugar para mim na sua casa? 😉

Taypá para entrar no clima peruano

Menos de um dia depois de comprar as passagens para Lima, lá estava eu no Taypá – Sabores del Peru, me entupindo de comida peruana.

Eu não sei dos detalhes, mas lembro do bafafá em 2014 quando o Taypá (peruano!) ganhou como o melhor restaurante de Brasília. Desde então, eu morria de vontade de ir lá, mas a preguiça de percorrer os mais de 25km até o Lago Sul vencia sempre.

Ontem, no entanto, tudo conspirou. Mais certa que nunca de que a viagem começa quando a gente compra o ticket, me dei conta de que meu compromisso ficava a apenas duas quadras do restaurante.

Então, sem pensar duas vezes, cheguei lá às 23h45 (15 minutos antes de fechar), para a “surpresa” dos garçons (minha visão periférica detectou ao menos duas expressões de profunda tristeza). 😛

Eu imaginava o Taypá gigante, mas ele é pequeno e acolhedor, com um ambiente com pouca luz do jeito que eu amo. Em cima da mesas, uns pratos verdes de pedra com tom de abacate.

Taypá restaurante peruano Brasília

A parede cheia de prêmios (inclusive de melhor restaurante peruano do Brasil) serviu para mim como uma espécie de aviso: não espere menos que comida absolutamente deliciosa, dizia o Taypá. Ok, minhas expectativas estão altíssimas, eu respondia.

De entrada, escolhemos Yuquitas, uns bolinhos de mandioca abarrotados de queijo roquefort, com umas franjinhas crocantes por cima, que vieram mergulhados num creme de camarões que já valeu a noite. Depois de 21 dias de programa alimentar sem lactose, uau!, era daquilo que eu precisava! Bom no nível de raspar o prato.

Taypá restaurante peruano Brasília

Como prato principal, ficamos com o Ceviche Taypá, um prato híbrido que nós mesmos montamos, escolhendo três das seis opções disponíveis no cardápio. Sem pistas de qual escolher, fomos na do garçom, que sugeriu os três primeiros:

Ceviche Clássico
Peixe fresco com leite de tigre*.

Ceviche Criollo
Polvo, peixe branco, lula e camarões com leite de tigre* e creme de coentro e cebolas.

Ceviche Nikkey
Salmão, teriyaki, molho de ostras, leite de coco, abacate e leite de tigre*.

*Segundo o Google (tive que procurar porque eu não sabia), leite de tigre é o caldo que vem junto com o ceviche. Ele pode resultar do próprio ceviche ou ser preparado separadamente, para temperar.

Os ceviches vieram numas cumbuquinhas verdes grudadas uma na outra que, à primeira vista, me pareceram pequenas demais. Só pareceram. Comemos até não aguentar mais e mal chegamos à metade.

Taypá restaurante peruano Brasília

Taypá restaurante peruano Brasília

Meu preferido foi o Nikkey, melhor ceviche da minha vida (incluindo no páreo aqueles que comi no Peru). Eu voltaria ao Lago Sul por ele.

Com no room para sobremesa, caímos fora felizes e satisfeitos e com três marmitas debaixo do braço. Foi tudo bom demais e o atendimento não deixou nada faltar. Nossa conta ficou R$167 e me pareceu bastante justa considerando a experiência e a quantidade de peixinhos suculentos que levamos para casa (eles, aliás, estavam igualmente gostosos dois dias depois).

quais as chances

Taypá – Sabores del Peru
SHIS QI 17 bloco G loja 208
Fashion Park – Lago Sul
(61) 3248-0403 | (61) 3364-0403
contato@taypa.com.br

Decidimos morar no Peru

Uma decisão importante foi tomada: vamos morar no Peru!

Essa foi a maneira más rica e preciosa de resolver, na prática, questões técnicas perturbadoras da nossa volta ao mundo.

A questão é a seguinte: quando me imagino dando a volta ao mundo, não me vejo como simples turista ou mochileira num ano sabático, dedicado a desbravar. Me vejo trabalhando, comprando leite na padaria e passando o dia no sofá, aos cuidados da Netflix. Fazendo exatamente as mesmas coisas que faria no Brasil (só que a alguns milhares de quilômetros dele).

A questão é, isso é mesmo sustentável? Será que, uma vez na China, vou realmente passar o dia em frente ao computador enquanto uma (grande) muralha me espera? Será que vou conseguir estabelecer uma rotina “convencional” na Austrália (esquentando o jantar de ontem, fazendo faxina e pagando contas), quando o que eu mais queria era estar com um cilindro nas costas, procurando o Nemo entre os corais?

Para mim, sim, é possível, é claro. O que quer que eu me propuser a fazer é possível, desde que eu crie um plano e o siga. O que não está muito claro (especialmente para o Leandro) é se, uma vez jogada às tentações turísticas do mundo, eu vou querer continuar com esse tal plano. Eu, de novo, acredito que sim. Ele, no entanto, tem sérias dúvidas.

Por isso, essa semana, não chegando num veredito (esse lance de prever o futuro não é nosso forte), tive a ideia de descobrir na prática. Muito simples na minha cabeça: a gente viaja, fica por uns 30 dias morando num país qualquer e descobre se somos ou não capazes de conhecer o mundo acompanhados das nossas responsabilidades, rotinas e projetos.

Com um objetivo tão claro e consistente assim, comunicar foi fácil. E ele, tão apreensivo quanto corajoso, topou a experiência. Então, partimos (as duas cobaias) para os materiais e métodos!

Se existe uma recompensa de se trabalhar com marketing digital e gastar uma fortuna com anúncios, é a infinidade de milhas acumuladas. E foram elas minhas armas secretas para realização. Em menos de 48 horas a partir do “e se a gente…”, as passagens estavam compradas.

Escolhemos o Peru que, no duelo com Argentina e Uruguai, deu um touché na forma de Machu Picchu e ceviche. Escolha unânime! Embora eu já tenha ido, amei a possibilidade de déjà vu. E o Leandro, sortudo, amou o novo risquinho na lista de “países que quero conhecer”.

Próximo passo agora é descobrir onde vamos ficar. Nenhuma pista, so far.

Por mim, que seja uma casa fofa, linda e acolhedora, com tecidos étnicos sobre o sofá, flautas de madeira e pantufas de pêlo de lhama. Ah, e que tenha espaço para a estreia tão aguardada da minha mais nova mochila (e vida) de aventureira.

Eu quero dar a volta ao mundo

O que eu preciso fazer para dar a volta ao mundo é a pergunta da vez. Eu, literal e geograficamente, nem sei por onde começar.

A ideia é antiga, mas a coragem de falar em voz alta veio esse mês, junto com uma mochila vermelha gigante da Amazon (só para eu sentir o gostinho de que sim, é real).

Como não tenho trabalho fixo, nem nada que me prenda a Brasília (além da minha família), considerações sobre minha disponibilidade para cair no mundo nem passam pela minha cabeça.

Para onde eu vou e onde vou ficar (hotel, albergue, Airbnb?), também não. Pelo contrário, essa é uma das partes que mais me animam em se tratando das futuras decisões dos preparativos.

O que me preocupa, sendo bem honesta, é a grana para bancar essa loucura. Eu (ainda) não tenho um plano – e isso tem me deixado bastante incomodada cada vez que penso no assunto. Falta ação, eu sei.

O quais as chances? fica, então, sendo meu lembrete para agir. Claro, não sem antes se camuflar de meu-relato-de-viagens, misturado com meu-diário-dos-melhores-momentos-da-minha-vida, com uma pitada de minhas-estripulias-em-marketing-digital.

Sem nenhuma expectativa e com todas as pretensões possíveis, aqui estou. De volta. De novo.