Eu decidi ser crudívora por 30 dias

Esse é meu primeiro post sobre Raw Food e eu acho justo contextualizar, afinal, não é todo dia que a gente abre mão de todas as porcarias quentinhas e deliciosas do mundo em troca de uma boa noite de sono, concorda?

Deixa eu explicar…

Há alguns dias eu estava em SP hospedada num motel. Sim, um motel com M. E, além das inúmeras vantagens (e histórias para contar), esse motel também me proporcionou 9 dias vendo meu reflexo no teto.

Todas as noites, depois de uma jornada de trabalho entremeada em pausas estratégicas para me empanturrar de panetones, pães de mel, biscoitos, bombons e trufas, eu e o espelho do teto nos encontrávamos. Ele, muito sincero. Eu, uma bola.

Então, chegando em Brasília um tanto desgostosa com a lembrança daquela minha silhueta noturna pós-farra-do-boi-do-açúcar, eu decidi dar um basta. Entendi que, por mais que aquele não fosse meu melhor ângulo (vista de cima, esparramada na cama), eu realmente não estava na minha melhor forma.

Tanto física quanto mentalmente, já estava passando da hora de eu experimentar resultados satisfatórios vindos da alimentação. Se continuasse daquele jeito, meu futuro provável claramente seria ladeira abaixo.

Motivada a transformar minha alimentação e perder alguns (vários!) quilos, corri para minha fonte confiável de conhecimento contemporâneo: o instagram – eu precisava de uma luz.

Nele, procurei algo que me inspirasse. Eu queria me alimentar de forma saudável, só que sem pressão; sem alguém me empurrando regras ou me convertendo. Sem gurus, causas sociais ou imitações frustradas de queijo.

Eu queria coisa boa e maravilhosa, coisa sem embalagem, coisa da natureza, sabe? Sem frufru.

Então, providencialmente, eu encontrei o que eu buscava – uma linda criatura feminina australiana dando banho no seu filhote dentro de uma casca de melancia. Cada foto nova que eu via, mais certeza eu tinha de que aquilo sim era uma pessoa saudável. Eu queria ser igual.

Fui navegando pelos amigos dela e pelos amigos dos amigos dela. De perfil em perfil, a palavra “raw food” começou a chamar a minha atenção. Todos eles tinham uma dieta “plant based” e os mais selvagens (e inspiradores para mim) eram crudívoros.

Crudívora é aquela pessoa que não usa forno ou fogão para preparar a comida. Come tudo cru ou, no máximo, desidratado. A maioria delas, obviamente, é vegana (come nada de origem animal). Os gringos chamam Raw Food, aqui no Brasil nós falamos Comida Viva.

A ideia é preservar todos os nutrientes do alimento que vem direto da terra. Nada de esquentar, fritar, assar, grelhar ou qualquer outro verbo que envolva panela chiando e barriga roncando. Nenhuma fumacinha saindo do prato.

Eu decidi ser crudívora por 30 dias e esse me pareceu um dos maiores desafios de todos. Mas, depois de um tempo, comecei a perceber que o desafio era, na verdade, a declaração de amor mais apaixonada que eu já fiz para mim mesma.

Abrir mão de tudo que eu acho gostoso (e que me vicia) a favor do meu corpo tem me dado uma sensação de responsabilidade e integridade que vai derrubando vários outros dominós da minha vida.

A meditação flui, o exercício vira rotina e cuidar das coisas (sejam elas quais forem) se torna prazer. O resto, de certa maneira, parece secundário.

Sendo raw, pouca coisa assusta e nada parece, de fato, difícil.

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