Meu café da manhã de hoje (feito pela Alessandra)

Whole30 é um programa alimentar cheio de restrições que dura 30 dias e ainda está engatinhando aqui no Brasil. Eu soube dele pela Flávia Niemeyer e cheguei a ler algumas coisas na internet, mas só fui entender como realmente funciona depois de encarar um desafio de 15 dias – e é sobre isso que vou falar nesse post.

O que eu sabia sobre o Whole30

Logo que comecei a ler superficialmente sobre o Whole30, me chamou a atenção a lista gigante de alimentos proibidos durante o programa.

Dentre eles estavam açúcar (syrup, mel, stevia e qualquer outro adoçante), laticínios, grãos (arroz, trigo, milho, amigo e outros) e legumes (feijão, ervilha, soja e outros) –detalhe: eles representavam, no mínimo, 95% da minha alimentação diária.

Então, quando comecei, sabia que o Whole30 iria literalmente sacudir meus hábitos alimentares. Sabia que gastaria dinheiro comprando ingredientes incomuns (como óleo de abacate e farinha de côco), que teria que dedicar tempo para cozinhar e que minha força de vontade seria colocada à prova, especialmente em relação a não comer doces.

Com a intenção de experimentar minha vida (e meu corpo) sem nada daquilo que faz mal, vicia e causa alergia, fui em frente. Além dos efeitos da profunda desintoxicação, eu queria começar a comer comida de verdade (saudável e viva), entender o que me faz bem (ou mal) e, claro, secar alguns quilos.

Como comecei o Whole30

nao pode whole30Decidi começar numa segunda-feira e, pela manhã, no lugar do pão com manteiga, busquei “whole30 breakfast” no google. Achei uma foto de batata com bacon e ovos, coloquei manteiga na frigideira e reproduzi o prato.

Quando experimentei… uau! Estava incrível e eu tive a sensação de que aquilo me saciaria muito mais que o pãozinho de costume.

Foi assim, sem preparo e sem muita informação, que eu comecei o Whole30. Como eu não sabia direito as regras do programa, sempre fazia receitas semelhantes às fotos que eu encontrava na internet. Quando tinha alguma dúvida em relação a determinado ingrediente, eu pesquisava se ele era permitido ou não.

Para mim, que não estava nem um pouco disposta a ler as teorias sobre o programa e decorar o que era permitido ou não, até que funcionou. Mas a verdade é que nem tudo foi bonito e fácil como nesse episódio do café da manhã.

Ao começar o Whole30 capenga desse jeito, eu comi coisas que não podia por falta de informação, enjoei rápido da comida de sempre porque eu não sabia como variar e comecei a parar de comer por (acredite) preguiça de preparar – falo disso daqui a pouco.

Então, se você me perguntar se eu entraria novamente no programa na louca do jeito que fiz, eu diria “sim, claro”. O teste foi sensacional, eu aprendi demais e talvez eu não estivesse aqui e não tivesse feito desse jeito.

Só que para fazer os 30 dias funcionarem do jeito que devem ser, eu realmente acredito que é importante dedicar alguns dias de preparação, com lista de compras, receitas fáceis e gostosas à disposição, organização da rotina de casa (quem vai cozinhar? quem vai limpar? quem vai fazer o Whole30 também?) e clareza quanto às regras do programa.

Minha experiência fazendo Whole30

O que foi fácil para mim no Whole30

Eu já tinha feito a Dieta de Metabolismo Rápido, então, por incrível que pareça, a restrição alimentar do Whole30 foi fichinha. Eu já sabia como era ficar sem açúcar e laticínios e os demais alimentos proibidos não me fizeram falta.

Não ter alimentos específicos para cada dia da semana também foi excelente. Talvez essa seja uma das melhores coisas do programa, quando comparado com outros que conheço. Da lista permitida, eu podia comer o que quisesse, quando quisesse.

Aliás, não ter hora para comer foi outra maravilha. No Whole30, você não precisa ficar paranóico para comer a cada três horas. Você come a hora que quiser, o quanto quiser.

Sim, não existem quantidades de comida no programa (amém!). Eu podia comer o quanto fosse necessário para saciar minha fome − foi um alívio não precisar usar medidores ou ter que me entupir de proteína como na minha dieta anterior.

O que foi difícil para mim no Whole30

Não saber exatamente o que eu podia ou não comer foi uma grande dificuldade durante o programa. Eu não queria ficar estudando o programa e também não queria cometer erros; então, me vi num empasse. Nos meus 15 dias de teste, tomei vitamina de abacate e comi tapioca achando que estava abalando, quando, na verdade, nenhuma delas é recomendada no Whole30.

Encontrar comida na rua também foi um dilema. Lembro que uma vez, no Rio de Janeiro, andei quadras e mais quadras na rua até encontrar um mísero lanchinho que não fosse frito ou à base de leite condensado (era um creme de ervilhas que, descobri depois, também não era permitido no Whole30).

Depois de alguns dias, entendi que o único jeito seria levar uma marmita comigo sempre que quisesse sair de casa. Chegar a essa conclusão rápido foi ótimo porque, sem esperanças de achar comida saudável na rua, eu parei de procurar e me frustar.

Mas, apesar de todas essas dificuldades, meus piores momentos se deveram ao devastador fato de que, se eu não cozinhasse, não comia. Até o final da primeira semana, me vi diversas vezes indo para a cozinha com fome e voltando irritada e de mãos vazias por não encontrar nada para comer. Passei a não gostar de frutas por serem a única coisa que eu comia do dia inteiro.

E o por é que, além de rejeitar a ideia de cozinhar sempre que sentisse fome (porque eu ainda não tinha qualquer maestria em fazer e guardar; achava que tudo precisava estar fresco), eu também odiava lavar louça e arrumar a cozinha o tempo todo − curiosamente, essas tarefas foram muito mais difíceis para mim que cortar álcool e açúcar.

Para completar, mesmo quando eu estava feliz e disposta, eu não sabia o que cozinhar. Para mim, ingredientes sem receita são o mesmo que passar fome. Durante meus 15 dias de Whole30, eu não queria ser criativa na cozinha, eu não queria ser livre, eu não queria ser chef. Eu só queria comida (prontinha e delicioso, de preferência). 😛

O que mudou para mim com o Whole30

O mais interessante é que foram exatamente essas dificuldades que geraram algumas das maiores transformações na minha vida enquanto fiz o programa. A primeira delas: contratei uma moça para cozinhar para mim.

Eu nunca tinha tido, sequer, uma faxineira fixa, imagina um cozinheira… Ok, não contratei uma chef, nem nada, mas a Alessandra chegou lá em casa e tomou para si a parte que, para mim, era a mais terrível: preparar todas as refeições Whole30 ao longo do dia.

Com a chegada dela, minha tarefa passou a ser de apenas escolher o que queria comer naquele dia e me assegurar de que tínhamos os ingredientes para o preparo. Sendo que, por algumas vezes, a própria Alessandra se encarregou de comprar o que faltava.

Meu café da manhã de hoje (feito pela Alessandra)
Meu café da manhã de hoje (feito pela Alessandra)

No começo, eu pegava receitas em inglês na internet e traduzia para ela, mas, logo depois, comprei o livro do Whole30 em português (numa livraria na frente de casa) e tudo ficou ainda mais fácil. Foi a partir desse momento que o programa começou a funcionar de verdade para mim.

Com a chegada a Alessandra, passamos a comer muito mais felizes e com variedade. Experimentamos pratos diferentes com frango, peixe, ovos e algumas estripulias criativas, como fritada de tomate e espaguete de abobrinha.

Paramos de comer na rua sem que isso tivesse impacto negativo na nossa vida. No lugar de gastar com restaurantes ou delivery, deslocamos nossas despesas para feiras de rua e mercados orgânicos.

Nunca chegamos a fazer as contas, mas chuto que ficamos no zero a zero em relação às nossas despesas com comida. Nossos gastos com rodízios de sushi foram facilmente substituídos por macadâmia$ e fatia$ de bacon orgânico.

Meus resultados com o Whole30

Foram só 15 dias, mas os resultados foram nítidos. Só que, diferente do que eu imaginava, não perdi muito peso, elimei apenas 3,5kg (sendo que eu estava malhando pesado na época). A diferença gritante veio nas minhas medidas. Em apenas duas semanas, eu perdi 10cm de barriga (como diz o Leandro, nós não estamos gordos, estamos inchados).

Perdi 3,5kg e 10cm de barriga após 15 dias de Whole30
Perdi 3,5kg e 10cm de barriga após 15 dias de Whole30

Outro resultado perceptível foi na diminuição drástica da minha alergia respiratória, cuja causa eu nunca descobri (mas agora desconfio que seja culpa do leite ou do glúten). A partir do décimo dia do programa, minha alergia caiu para 2 numa escala de 10 e hoje, tomando leite e comendo glúten novamente, voltou para 9.

Algo interessante que também aconteceu durante o Whole30 foi a sensação de leveza depois de cada refeição, mesmo quando eu comia um boi (em qauntidade). Em nenhum momento eu me senti cansada ou inchada, independente do tamanho da porção.

Outra coisa que eu nunca havia sentido antes e passei e vivenciar com o Whole30 foi a sensação de que, se eu não levar aquela barra deliciosa de Talento vermelho comigo sempre que for ao mercado, está tudo bem. Meu vicio por chocolate praticamente zerou durante o programa… Eu continuo gostando de chocolate, óbvio, mas a necessidade de chocolate não me controla mais.

Por fim, aconteceu uma transformação na forma como eu enxergo a comida. Eu não me vejo mais presa a padrões e costumes que costumavam ser fortes e definitivos para mim. Eu não acho mais estranho comer o resto do jantar no café da manhã, ficar sem arroz e feijão no almoço ou beber café sem açúcar. A sensação de liberdade é enorme.

Se eu recomendo Whole30 para alguém?

Tanto quanto o novo álbum do Ed Sheeran. A minha opinião é de que, sim, todas as pessoas deveriam fazer o Whole30.

O que você ganha ao fazer o programa não é algo que você, antes de conhecê-lo, considere possível. Por isso, é complicado explicar seus verdadeiros benefícios. Eu, por exemplo, não considerava possível ser realmente feliz sem creme de leite − se alguém tivesse me dito isso antes, eu teria rido.

Infinitamente mais que te fazer emagrecer (e olha que emagrecer é importante para mim) ou comer saudável por 30 dias, o Whole30 te dá acesso a uma vida que você não faz ideia que existe, com mais liberdade do que você jamais experimentou.

Meus próximos passos

Quanto ao futuro…

prepara que Whole30 está vindo

Na próxima segunda (daqui 2 dias), começo o programa para valer e, dessa vez, vou fazer os 30 dias completos. Me sinto focada, obstinada e extremamente animada por ter outras 12 pessoas ao meu lado, encarando o desafio comigo.

Se você já fez o programa ou se sentiu inspirado a experimentar, deixe um comentário aqui no post contando. Suas dicas e feedbacks serão muito bem-vindos e, quem sabe, você pode até fazer parte do meu grupo (na verdade, do grupo da Flávia Niemeyer) e começar 30 dias inesquecíveis na próxima segunda-feira também. Que tal?

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Nasci em Brasília e fiz faculdade aqui. Sou louca por animais, mas abandonei a veterinária para empreender (e trabalhar em casa de pijamas). A paixão por viagens começou em 2010, quando me enfiei num navio em direção ao Egito. Hoje, trabalho exclusivamente com marketing digital, tenho 2 gatas e já passei por 42 países. Sonho ter uma vespa bege, dar a volta ao mundo e juntar oito dígitos no banco – e minha jornada em busco disso, você acompanha aqui.

5 COMENTÁRIOS

    • Ei, Daiana, compartilha com a gente como está sendo sua experiência com o Whole30… 🙂 Sei que você já está há alguns duas no programa com a família inteira e estou curiosa para saber o que eles estão achando disso.

  1. Eu tô dentro, já tentei uma vez e não consegui por várias razões, mas depois de ler muito, quero fazer tb….mas vou começar dia 11/09 quero me programar direito…bjs

    • Muito legal, Ester!!! Dia 11/09 eu estarei no meio do programa e passando por um grande desafio: um voo longo de avião sem poder comer o lanchinho padrão à bordo. Depois volte para contar mais da sua experiência! 🙂

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