whole30 antes depois before after

Se você nunca ouviu falar de Whole30, aqui vai um breve resumo:

São 30 dias sem comer 95% daquilo que você ama (e que te faz mal) em troca de uma vida nova, sem vícios, sem descontrole, sem obsessões e sem qualquer outro comportamento bizarro que você tenha com comida.

E, de quebra, você perde uns quilos.

Eu entrei pelos quilos e (claro) por estar produzindo um canal no youtube sobre o assunto – como eu poderia falar de algo que nunca experimentei?

Só que, por problemas geográficos, foi na marra.

Com meia dúzia de fast foods na quadra ao lado, In-N-Out e Five Guys a 5 minutos de Uber e sundays gigantes do Costco por menos de 2 dólares, tudo que eu queria era seguir na esbórnia.

Por conta disso, meu indesejado Whole30 começou com fúria e relutância poucos dias depois de pousar na terra-maravilhosa-da-junk-food.

Numa segunda-feira triste e mal humorada, abri mão das minhas tentações preferidas.

Privada de sorvete, chocolate, batata frita e qualquer outro delicioso pedacinho de felicidade, dei uma volta xôxa pelo píer de Santa Mônica, que rendeu a única foto de sorrisinho amarelo abaixo.

E conclui algo que eu já suspeitava: sendo tão apreciadora de comida (sem eufemismo: viciada), nem Los Angeles tinha graça sem açúcar.

stella pier santa monica

Semana 1

Foi duro.
(para mim e para a Flávia)

Eu não gostava de nada que eu comia e morria de saudade de laticínios. Nos raros passeios pelas redondezas, tudo que eu queria era milkshake e iogurte. Entrar no mercado era uma tortura, sair para caminhar era uma tortura, viver era uma tortura.

Passei a semana reclamando da vida, reclamando do maldito Whole30, reclamando dos legumes, xingando a Melissa e me entupindo de bullet proof (meu único consolo).

Eu basicamente só tomava café e comia vegetais exóticos da Flávia. Aliás, ela passou dias inventando pratos na tentativa de me agradar; só que eu estava chata, um porre, um saco e nada me deixava satisfeita.

(Se ela tivesse vindo com um pãozinho de queijo, quem sabe…)

Senti a pressão de seguir ordens contra a minha vontade, já que o Whole30 é cheio de regras inquebráveis; senti raiva do universo, que não fez chantilly ser bom para saúde; e, inesperadamente, senti saudade de casa e da comida da minha mãe.

Foi uma semana sem resultados físicos aparentes e psicologicamente desafiadora. Me senti deprimida (em abstinência?) durante toda a semana. Foi péssimo.

Semana 2

Descobri ovos e bacon. Alegria.

A segunda semana foi bem mais tranquila.

Com ovos e bacon orgânico no café da manhã, eu comecei a realmente apreciar a comida. Pela primeira vez, eu trocaria um pão francês pelo meu prato Whole30, abarrotado de amor e gordura saudável.

Entre a primeira e a segunda semana, comi um saco de batatas para tentar me saciar e, quem sabe, me sentir feliz. Funcionou.

Só que, à medida que fui descobrindo novos ingredientes, passei a evitá-las porque (1) a Flávia disse que eu não emagreceria se continuasse comendo batata o dia todo e (2) porque eu sabia que me entupir de um legume nutricionalmente pobre não era uma decisão muito esperta.

No meio disso, chegou a deusa, rainha, saborosa, soberana… maionese!

Nossa, que maionese-caseira-whole30 deliciosa e salvadora de vidas. Nos conhecemos ao acaso, na gravação desse vídeo e, depois disso, nunca mais nos separamos.

Passei a colocar maionese na salada, nos ovos cozidos, nos legumes, nas castanhas… Ela praticamente se tornou uma “comida sem freio” para mim. Foi a melhor notícia desde meu primeiro dia de Whole30.

Falando em castanhas, comi muitas durante essa semana (na verdade, durante o Whole30 inteiro). Não acho que eu tenha feito certo porque, ao invés de inclui-las nas refeições, eu ficava feito periquito beliscando ao longo do dia.

Outra coisa revolucionária que aconteceu foi o descobrimento da kombucha. Onde ela esteve todo esse tempo? Quando eu descobri que era uma bebida aprovada pelo programa, tudo ficou mais fácil. Foi um alívio beber algo diferente de água e café.

As três, maionese, castanhas e kombucha, tornaram meu Whole30 muito mais suportável e, em vários momentos, até prazeroso.

Semana 3

Os resultados físicos eram perceptíveis.

Minhas roupas ficaram folgadas do dia para noite, foi incrível. A verdade é que eu realmente me sentia leve, independente do tamanho do prato que eu comia (e frequentemente eu comia pratos enormes).

Sentia que eu tinha desinchado, sabe? Passei a me sentir confortável com roupas mais apertadas e animada (não mais aborrecida) ao me olhar no espelho. A terceira semana começou comigo engajada e não mais relutante.

O cardápio não mudou muito. Continuei mergulhando em bacon, ovos, abacate, cenoura, tomate, espinafre, salmão, lula, maionese e… adivinha só! Almond butter.

Almond butter é tão bom que parede junk, você quase come com culpa. Mas é saudável e pode no Whole30, então, lá se foi um pote com almond butter com banana, almond butter com maçã, almond butter com almond butter… Ahhh, delícia!

Algo nítido na terceira semana foi minha não-mudança de humor nas idas ao mercado. No caminho para comprar (mais uma) cartela de ovos, eu passava por um McDonald’s, um Burger King, uma Starbucks e um TGI Friday. E, mesmo com fome, não sentia vontade.

Na fila para pagar os ovos, eu era bombardeada por chocolates e doces de todos os tipos empoleirados no caixa e (segura que é assustador) eu também não sentia vontade.

Na CVS, com todas aquelas guloseimas praticamente pulando no meu colo, safadas se oferecendo para mim, eu me sentia indiferente.

Eu não imaginava que isso pudesse acontecer e foi uma das minhas grandes surpresas. Olhar para um chocolate e não querer comer não fazia parte do meu mundo. Eu devorava até perna de urso de pasta americana. Devorava até leite condensado puro.

Me sentir imune ao desejo de açúcar foi inédito e impressionante.

Semana 4

Mais do mesmo.

Essa foi a semana de contagem regressiva porque, apesar de tudo que eu falei acima, o que eu mais queria era chegar ao dia 31 e fazer a festa na gordura trans mais próxima.

Eu não tinha mais aquela obsessão por doces, mas ainda sentia vontade de McFish (vai entender…), batata frita, torta de maçã e milkshake.

Passei a semana me questionando se esse Whole30 valia mesmo a pena, já que meus gostos continuavam os mesmos. Eu pensava “se esse programa tiver que fazer efeito, melhor que faça agora, faltam só x dias…”.

Fisicamente eu não notava diferença e me senti frustrada com isso. Também me senti frustrada por ainda querer junk. A verdade, é que, no fundo, eu queria um milagre. Do tipo, curar um vício de 30 anos em 30 dias.

Eu não fiz o Whole30 com 100% integridade.

Nos primeiros dias, comi um bacon orgânico com açúcar na composição, tive muito mais que apenas 3 refeições por dia (belisquei todos os dias várias vezes) e fiz sex with my pants on pelo menos 2 vezes, misturando banana com leite de amêndoas (o que resultou numa pseudovitamina Whole30 suculenta).

A verdade é que eu sabia que meus resultados seriam proporcionais à minha dedicação. Então, se eu estava frustrada com eles, na verdade, estava frustrada comigo mesma.

De qualquer forma, sobrevivi e cheguei ao final.

Dia 31 (na verdade, dia 30 à noite)

Vem para mim, junkieee!

Os bons de matemática sabem que, se você começa uma dieta na segunda, deixou de comer porcaria no domingo à noite. E, como eu fiz Kumon, foi exatamente no domingo à noite que eu declarei encerrados os trabalhos.

Para comemorar, um restaurante indiano.

Minha primeira garfada de lactose veio na forma de um prato vegetariano apimentado com alguns pedaços de queijo. Foi ok.

Em seguida, rolou o tão sonhado-desejado-milkshake, feito a partir de um sorvete artesanal recomendado pelo Conrado. Para falar a verdade, eu nem lembro o sabor, mas estava gostoso. Minhas papilas gustativas gritavam “uau, isso tá doce demais!”, mas se esbaldavam mesmo assim.

E eu, bem, eu já estava mais para lá do que para cá. Achei bom. E só.

No caminho para casa, coroamos a noite com um (outro) milkshake napolitano do In-N-Out que eu tinha experimentado (e me apaixonado) poucos dias antes de começar o Whole30.

No primeiro gole… OMG! O que fizeram comigo?!

Talvez eu estivesse cheia demais, talvez a comida indiana não tivesse me caído bem ou talvez (a Melissa apoiaria essa) meu corpo já não quisesse mais aquela porcaria industrial.

Eu achei o gosto péssimo, insuportavelmente doce, difícil de engolir. Do tipo, “eca, nunca mais peço isso”. E eu fiquei ali no banco de trás do carro refletindo quão absurda tinha sido essa transformação.

Cheguei em casa e tive uma noite não muito agradável.

Com a barriga inchada o bastante para receber gêmeos, tive dor de estômago e mal estar até conseguir pegar no sono. Enquanto isso, uma vozinha pouco convincente na minha cabeça dizia “o problema foi a comida indiana, relaxa…”.

No dia seguinte, fui fazer meu tour pelo quarteirão e, adivinha só, não comi nada. Entrei na Starbucks, esperei a vontade do Salted Caramel Mocha chegar e… nada. Sai de mãos (e barriga) vazias.

Nenhum McFish, nenhum chocolate, nada.

Resultados do meu Whole30

Aqui estão as fotos do antes e depois do meu Whole30:

whole30 antes depois before after

whole30 antes depois before after

whole30 antes depois before after

Essa foi a diferença que tive nas minhas medidas:

Barriga: -7cm
Coxa: -5cm
Quadril: -3cm
Braço: -1,5cm
Cintura: -0,5cm
Busto não mudou

Quanto ao peso, eis algo surpreendente: continuou igual. Ok, preciso levar em consideração que me pesei em balanças diferentes, em países diferentes e tal… Mas, honestamente, se houve alguma diferença de peso, não passou de 1kg. Interessante, né?

Independente da não mudança do peso, eu não fiquei chateada (o que foi surpreendente também, já que sou muito apegada a números). A diferença foi tão gritante (vide fotos e medidas) que eu me senti satisfeita com o resultado físico de qualquer forma.

Quando ao resultado psicológico, ainda está sendo uma descoberta para mim.

É a primeira vez que eu experimento não ter compulsão por comida. É a primeira vez que açúcar é só açúcar para mim (e não necessariamente felicidade e prazer numa cachoeira de endorfina).

Passar reto por uma vitrine de doces sem sofrer é inédito para mim.

Assim como é inédita essa sensação de liberdade, em que eu posso passear, ir ao cinema ou viajar sem que meu humor esteja atrelado ao que eu vou comer.

Se você deve fazer Whole30?

Realmente acho que só compensa fazer o Whole30 se for para valer, sabe? Se for para completar os trinta dias direitinho, sem quebrar nenhuma regra.

Obviamente, os resultados variam de pessoa para pessoa e, se for para perder peso, talvez não seja a melhor opção (você vai encontrar programas de perda de peso muito mais eficazes por aí).

Agora, se for para mudar seus hábitos (literalmente, mudar de vida) e enxergar uma realidade que você nunca viu antes (sem compulsão, por exemplo), talvez o Whole30 seja mesmo a melhor opção. Nunca vi nada igual.

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Nasci em Brasília e fiz faculdade aqui. Sou louca por animais, mas abandonei a veterinária para empreender (e trabalhar em casa de pijamas). A paixão por viagens começou em 2010, quando me enfiei num navio em direção ao Egito. Hoje, trabalho exclusivamente com marketing digital, tenho 2 gatas e já passei por 42 países. Sonho ter uma vespa bege, dar a volta ao mundo e juntar oito dígitos no banco – e minha jornada em busco disso, você acompanha aqui.

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