O preço de morar na casa dos fundos

livro orange optimism

Aos 22 anos, decidi contrariar o desejo dos meus pais e me recusei a fazer concurso público. Houve um rompimento velado e mútuo de expectativas e, querendo estar certa, me presenteei com a esmagadora responsabilidade de me dar bem na vida – só para provar que era capaz.

Por “bem na vida” eu queria dizer “não precisar de ninguém” e “nunca, em hipótese alguma, voltar a morar com eles”. Eu seria bem sucedida. Seria independente. Nada me seguraria.

Então, 7 anos depois, eu me divorciei.

Se isso não tivesse bastado para me colocar de volta ao meu lugar (humildemente debaixo das asas dos meus pais), eu tive a oportunidade de aprender a escolher amor no lugar de orgulho.

E eu estou contando tudo isso só para contextualizar, tá?

Porque, no auge dos meus 31, me restabeleci na antiga casa da minha avó, no fundo do lote dos meus pais, na maravilhosa Colônia Agrícola Samambaia (para onde eu disse que nunca voltaria).

Uma vez aqui, dancei conforme a música.

Home Sweet Home

reforma casa

Tive o privilégio (e o desafio) de usufruir de uma casa toda mobiliada e com uma disposição de ambientes um tanto… prática. Sabe como é? Meu pai não é muito de planejar, é mais de agir (e eu sou a cópia dele).

Quando cheguei, a casa parecia um brainstorm decorativo: se no coração de mãe sempre cabe mais um, imagina na casa da vó.

Em meio a espelhos e rádios de décadas passadas e fotos de netos impressas em vinil e grudadas na parede, montamos acampamento aproveitando a estrutura da melhor forma que conseguimos: amontoando tudo.

O armário do quarto (descrito sem dó no post anterior), no entanto, não acomodava nem metade do meu arsenal de shorts-que-vão-caber-em-mim-assim-que-eu-emagrecer; e foi exatamente por ele que começamos.

No começo de junho, assim que voltamos do Alasca (conto mais sobre essa viagem depois), no limite das minhas reclamações, decidimos fazer algo tão dramático quanto… encomendar um armário novo!

reforma casa

Só que, pensa comigo, por que mandar fazer apenas um pequeno armário quando se tem um quarto de hóspedes inteiro dando sopa (louquinho para virar closet)? E por que continuar com dois banheiros se a gente só usa um?

Meu pai responderia facilmente essas perguntas porque ele sabe que uma casa de dois quartos vale mais que uma de um quarto só e ele também sabe o trabalho que dá mexer com obra.

Mas, sábio do jeito que é, ele preferiu não se pronunciar e simplesmente nos apoiou silenciosamente em nossas escolhas. Com o aval do dono da casa, decidimos modificar a planta da seguinte forma:

planta closet banheiro

Acreditando ingenuamente que seria tão fácil quanto fazer um desenho no papel, fomos à loja de móveis planejados e encomendamos três roupeiros: um para substituir o antigo e dois para ocupar o futuro closet (que construiríamos a partir do quarto de visitas).

Nesse dia, chegamos em casa felizes e satisfeitos, até que…

…nos demos conta do tamanho da obra que estava por vir.

Quebrar e construir paredes, refazer todos os encanamentos e fiações elétricas e encontrar um bom pintor e um bom gesseiro eram só o começo da história. Nos demos conta da energia (e do dinheiro) que gastaríamos com o “armário novo” no momento mais propício: quando não dava mais para voltar atrás.

Ficou decretado, assim, o começo da reforma – e, ao mesmo tempo, o começo do caos.

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