O que eu faria se tivesse dinheiro infinito? (everything stays)

Outro dia eu parei para honestamente responder essa pergunta: o que eu faria se tivesse dinheiro infinito?

Estou escrevendo e ouvindo essa música: Everything Stays

A pergunta não se baseava em “fazer com o dinheiro” e sim em “fazer da vida com tanto dinheiro”; do tipo: como eu viveria minha vida se tivesse dinheiro infinito? Como seria minha rotina se eu nunca mais precisasse trabalhar?

“Eu faria um blog”, foi minha resposta automática. Hmmm, que engraçado isso… Tudo continua igual, exatamente onde eu deixei, embora esteja um tanto diferente agora.

Eu costumava ser uma criança dócil, a que apanhava na escola e voltava chorando, a que comia toda a beterraba cozida (mesmo odiando) sem reclamar. Eu não dava trabalho, não reinvindicava.

Então, em algum momento da minha adolescência eu aprendi a brigar. Me viciei em ter domínio como prêmio de embates disfarçados de “fazer justiça”. Minha interpretação de justiça.

Perdi feio cada vez que eu ganhei. Quando um amigo meu ia embora, eu tinha certeza de que não precisava dele – e tinha certeza de que, na verdade, não precisava de mais ninguém além daquela única pessoa da vez.

O curioso é que foi exatamente buscando dinheiro infinito que eu descobri (e venho tentando cuspir) o rei de dentro da minha barriga; só para sentir o gostinho maravilhoso de ser insignificante – e ter paz.

Se eu tivesse dinheiro infinito e nunca mais precisasse trabalhar, eu escreveria qualquer coisa num blog para alguém. Talvez sobre gatos, talvez sobre leite de amêndoas, talvez sobre ter dinheiro infinito.

Acho que eu escreveria sobre ter perdido de propósito todas as minhas últimas brigas e sobre a intrigante felicidade de ser permeável à tristeza e frustração (sem lutar, passivamente, como a criança que eu costumava ser).

Sabe o que é mais engraçado? Com dinheiro infinito, eu provavelmente sentiria falta de tudo que tentei fugir ao buscar dinheiro infinito: vulnerabilidade, pertencimento e aprovação (especialmente de quem jurei que não importava).

Eu escreveria um blog para pleitear, discretamente, tudo isso.

Como motivação superficial, me sentir completa; porque já estaria farta do meu autoisolamento (de qual outra maneira eu teria dinheiro infinito?). E, autenticamente, para simplesmente existir, porque é ao lado (e no ouvir) dos meus amigos que eu tenho (na verdade, ganho) vida.

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