Visitamos o Mercado Número 1 de Surquillo

Nosso uber até o Mercado Número 1 de Surquillo custou só 10 reais e chegou rápido, sem o motorista sequer precisar de mapa. E foi lá nosso almoço de quarta-feira.

Escolhemos o mercado (que é uma pequena feira coberta) porque ele estava entre as dez melhores opções de compras de frutas e vegetais em Lima e também porque queríamos experimentar comida local barata.

Chegamos, entramos e, em menos de 10 minutos, já tínhamos visto tudo. Entre clássicos e inéditos, encontramos uma infinidade de frutas, vegetais, castanhas e temperos para todos os gostos – com preços muito semelhantes aos de Brasília.

mercado número 1 surquillo

mercado número 1 surquillo

Essa foi a parte boa.

A parte péssima foi a quantidade de bichos mortos pendurados por ganchos que encontramos por lá. Só de lembrar, sinto um arrepio. Até carcaças inteiras de porcos encontramos, expostas ao ar livre, parecendo minhas aulas de anatomia da faculdade.

Honestamente, não gostei. Me senti realmente mal vendo aquela quantidade enorme de frangos presos pelo pescoço e peças de carne às moscas, esperando compradores. [Minha vontade recorrente de ser vegana voltou…]

Enquanto saíamos de perto das carnes e voltávamos às frutas, me dei conta da facilidade com a qual nos deslocávamos entre as barraquinhas, sem assédio dos vendedores; e até cheguei a ensaiar um elogio quando, de repente, nos deparamos com os restaurantes. Gente, quanta obstinação…

De repente, três pessoas nos rodearam e começaram as tentar nos arrastar para seus respectivos restaurantes, falando alto, gesticulando para o cardápio, perguntando se éramos brasileiros e exaltando o sabor delicioso e inigualável de seus ceviches. Pirei na abordagem insistente.

mercado número 1 surquillo

Como estávamos ali para isso mesmo, escolhemos aleatoriamente um deles e pedimos ceviches de pescado e misto (com lula, polvo e camarão), chaufa (arroz frito com frutos do mar) e chicharrón de pescado (iscas de peixe frito).

Como cortesia, ganhamos uma entrada que consistia numa tigela de líquido amarelado, acompanhada de milho frito (que tem em todo canto daqui) e pimenta vermelha. A garçonete nos ensinou a misturar tudo e beber como uma sopa e até que ficou bom, embora eu prefira comer o milho crocante (e seco!) sozinho.

sopa milho peruana

Nossa comida estava boa, mas duas coisas interessantes aconteceram.

Primeiro: o ambiente do mercado (com galinha pendurada e muita sujeira espalhada) não abriu meu apetite (e isso é muito raro), então eu não comi nem 1/3 do meu prato e levei para casa numa embalagem de isopor.

Segundo: fomos trapaceados pela moça do caixa que, ao aceitar nossos dólares americanos, nos devolveu o troco em soles peruanos com uma conversão que descaradamente nos subtraia quase 20 reais. E, quando questionamos isso, ela disse que teve que negociar com um cambista e que não podia fazer nada a respeito.

Ficaram, então, duas excelentes lições:

1. O Mercado Número 1 de Surquillo é legal para comprar frutas, verduras e castanhas, mas as coisas custam quase o mesmo das bodegas perto de casa.

2. Almoçar no mercado não é algo que eu faria novamente porque o ambiente não é dos mais agradáveis, a comida não tem nada de mais (comparando sabor e preço com outros restaurantes locais), os atendentes são muito insistentes e, em nossa experiência, fomos “enganados” por um deles.

morando-em-lima

De qualquer forma, o passeio foi ótimo e valeu a pena – e, no caminho de volta, teve até foto no parque, para registrar o momento… 😉